Lesões Meniscais
- Rafael Vieira
- 22 de jun.
- 6 min de leitura
O que é o menisco?
O joelho possui duas estruturas chamadas meniscos: o menisco medial (interno) e o menisco lateral (externo). Eles são formados por uma fibrocartilagem resistente e têm formato semelhante ao de uma meia-lua.

Os meniscos desempenham funções fundamentais no joelho:
Absorvem o impacto entre o fêmur e a tíbia.
· 0º → 50 % da carga passa pelo menisco
· Flexão de 90º → 85 % da carga passa pelo menisco
Distribuem a carga durante a caminhada e atividades físicas.
Aumentam a estabilidade da articulação.
Protegem a cartilagem e ajudam a retardar o desenvolvimento da artrose.
Auxiliam na lubrificação e na nutrição da articulação.
Propriocepção
Para o sentido de posição articular. Os elementos neurais são os mais abundantes na parcela exterior do menisco, particularmente fibras nervosas tipos I e II.
Por isso, sempre que possível, o objetivo é preservar o menisco.
Quantos meniscos existem no joelho?
Cada joelho possui dois meniscos, totalizando quatro meniscos no corpo humano:
Menisco medial (interno): localizado na parte de dentro do joelho.
Menisco lateral (externo): localizado na parte de fora do joelho.
Embora tenham funções semelhantes, existem algumas diferenças importantes entre eles.
Menisco medial (interno)
O menisco medial tem formato mais aberto, semelhante à letra "C", e é mais fixo às estruturas ao redor do joelho. Por ser menos móvel, está mais sujeito a lesões, especialmente durante movimentos de torção. É o menisco mais frequentemente lesionado.
Menisco lateral (externo)
O menisco lateral tem formato mais próximo de um círculo e é mais móvel. Essa maior mobilidade faz com que ele seja menos frequentemente lesionado. Além disso, ele desempenha um papel muito importante na distribuição das cargas na região externa do joelho.

O que é uma lesão meniscal?
A lesão meniscal é uma ruptura ou desgaste do menisco. Ela pode ocorrer por um trauma, geralmente associado a movimentos de torção do joelho, ou pelo desgaste natural relacionado ao envelhecimento.
As lesões podem acontecer em pessoas jovens, atletas e também em indivíduos mais velhos, sendo uma das causas mais comuns de dor no joelho.
Como ocorre a lesão?
Lesões traumáticas
São mais frequentes em pacientes jovens e geralmente acontecem durante esportes ou movimentos de torção do joelho. Muitas vezes estão associadas à ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA).
Lesões degenerativas
São mais comuns após os 40 anos e ocorrem pelo desgaste progressivo do menisco. Nesses casos, uma simples agachada ou movimento rotacional pode desencadear os sintomas.
Quais são os sintomas?
Os sintomas podem variar conforme o tipo e a localização da lesão.
Os mais comuns são:
Dor na parte interna ou externa do joelho.
Inchaço.
Sensação de estalos.
Dificuldade para agachar.
Dor ao caminhar ou subir escadas.
Sensação de falseio ou instabilidade.
Travamento do joelho, quando o paciente não consegue estender ou dobrar completamente a articulação.
Nem toda lesão meniscal provoca travamento. Muitas lesões causam apenas dor e desconforto.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é baseado em três pilares:
História clínica
A forma como a dor começou, a presença de trauma e os sintomas apresentados ajudam a direcionar a investigação.
- Dor na interlinha do joelho.
A dor costuma ser provocada por movimentos, sobretudo os de apoio, como subir escadas ou ficar em pé após períodos de repouso. Os pacientes portadores de lesões degenerativas têm dor noturna e durante o repouso.
- Pode ter hemartrose (menos comum que o LCA).
- Pode ter sensação de falseio (não é característico)
- Pode ter bloqueio articular → Se presença de lesão em alça de balde

Exame físico
Durante a consulta, são realizados testes específicos que podem sugerir uma lesão do menisco.


Exames de imagem
A radiografia é importante para avaliar a presença de artrose e alterações ósseas.
A ressonância magnética é o principal exame para identificar a lesão meniscal, permitindo avaliar sua localização, extensão e possíveis lesões associadas.
Entretanto, a presença de uma lesão na ressonância nem sempre significa que ela seja a causa dos sintomas. Os achados do exame devem sempre ser correlacionados com a história e o exame físico.
Existem diferentes tipos de lesão?
Sim. As rupturas podem apresentar diferentes formatos, como:
Horizontal.
Vertical longitudinal.
Radial.
Oblíqua.
Complexa.

Algumas lesões específicas merecem destaque:
Longitudinal (vertical)
- Lesão mais comum tanto no adulto como na criança.
- Toca a superfície articular.
- Pode evoluir e estender até subluxar para o intercôndilo
→ Lesão em alça de balde.
- Forma o sinal do duplo LCP.
- Pode levar a bloqueio articular.

Vista de cima. Lesão longitudinal evoluindo para lesão em alça de balde.

2) Radial
- Lesão que “entra”, corta o menisco.
- Rompe as fibras circunferenciais (fibras que suportam a carga)
- Perde uma das principais funções: suporte de carga
- O menisco pode ficar extruso
- Tem que ser tratada o quanto antes.

3) Horizontal
- Lesões que abrem em “flap”
- Pacientes mais idosos.

Lesão em alça de balde
É uma ruptura longitudinal em que um fragmento do menisco se desloca para dentro da articulação, podendo causar travamento do joelho. Em muitos casos, é necessária cirurgia e, sempre que possível, reparo do menisco.

Lesão da raiz meniscal
Corresponde ao descolamento da inserção do menisco no osso. Pode provocar perda importante da função meniscal e acelerar o desgaste da cartilagem, sendo frequentemente indicada a reinserção cirúrgica em pacientes selecionados.
Lesão degenerativa
Relacionada ao envelhecimento e ao desgaste progressivo do joelho. Nem sempre necessita cirurgia.
Toda lesão meniscal precisa de cirurgia?
Não.
Muitas lesões podem ser tratadas sem cirurgia, especialmente as degenerativas.
O tratamento conservador inclui:
Medicações para controle da dor.
Fisioterapia.
Fortalecimento muscular.
Perda de peso, quando necessário.
Modificação temporária das atividades.
Diversos pacientes apresentam melhora importante apenas com essas medidas.
Quando a cirurgia pode ser indicada?
A cirurgia pode ser recomendada quando:
Os sintomas persistem apesar do tratamento conservador.
Há episódios de travamento do joelho.
Existe limitação importante das atividades diárias.
O paciente apresenta lesões reparáveis, principalmente em pessoas jovens.
Há lesões associadas, como ruptura do ligamento cruzado anterior.
A decisão é individualizada e leva em consideração idade, nível de atividade física, tipo da lesão e presença de artrose.
Como é feita a cirurgia?
A maioria das cirurgias é realizada por artroscopia, uma técnica minimamente invasiva feita através de pequenas incisões.
Existem duas possibilidades principais:
Sutura meniscal (reparo)
Consiste em costurar o menisco rompido, preservando sua função.
É a opção preferida sempre que a lesão apresenta potencial de cicatrização.
As vantagens são:
Preservação do menisco.
Maior proteção da cartilagem.
Menor risco de artrose no longo prazo.
Porém, a recuperação costuma ser mais lenta.
Meniscectomia parcial
Consiste na retirada apenas da parte lesionada e instável do menisco, preservando o máximo possível do tecido saudável.
A recuperação costuma ser mais rápida, mas a retirada de parte do menisco reduz sua capacidade de proteção da articulação.


O que acontece se o menisco for retirado?
Quanto maior a quantidade de menisco removida, maior será a concentração de carga sobre a cartilagem.
Com o passar dos anos, isso pode favorecer o desenvolvimento da artrose.
Por esse motivo, a tendência atual da cirurgia do joelho é preservar o menisco sempre que possível.
Como é a recuperação?
A recuperação depende do procedimento realizado.
Após uma meniscectomia parcial, muitos pacientes retornam às atividades habituais em poucas semanas.
Nos casos de sutura meniscal, a recuperação é mais lenta e pode exigir restrição temporária da carga, uso de órtese e fisioterapia por alguns meses.
O retorno ao esporte geralmente ocorre entre 4 e 6 meses, dependendo da evolução e da presença de lesões associadas.
Perguntas frequentes
Uma lesão do menisco pode cicatrizar sozinha?
Algumas lesões pequenas e localizadas em áreas com boa vascularização podem cicatrizar. Outras necessitam tratamento específico.
A ressonância mostrando lesão significa que preciso operar?
Não. O tratamento é baseado nos sintomas e no exame físico, e não apenas no resultado da ressonância.
Posso continuar praticando atividade física?
Em muitos casos, sim. O tipo de atividade e a intensidade serão orientados individualmente.
A cirurgia é sempre necessária?
Não. Muitas lesões apresentam excelente evolução com tratamento conservador.
Mensagem importante
Cada paciente é único. O mesmo tipo de lesão pode ter tratamentos diferentes dependendo da idade, do nível de atividade, da presença de artrose e dos sintomas apresentados.
O objetivo do tratamento é aliviar a dor, restaurar a função do joelho e preservar o máximo possível do menisco, protegendo a articulação a longo prazo.



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