Lesão da Cartilagem do Joelho
Atualizado: 20 de jul.
A cartilagem é um tecido liso e resistente que reveste a superfície dos ossos dentro da articulação do joelho. Sua principal função é permitir que o joelho se movimente de forma suave, absorvendo impactos durante atividades como caminhar, correr, subir escadas e praticar esportes.
Quando essa cartilagem sofre uma lesão, a articulação perde parte dessa proteção, podendo surgir dor, inchaço, sensação de travamento e limitação dos movimentos.
Ao contrário de outros tecidos do corpo, a cartilagem possui uma capacidade muito limitada de cicatrização. Isso acontece porque ela praticamente não possui vasos sanguíneos, o que dificulta sua regeneração espontânea.

A cartilagem articular reveste as extremidades dos ossos, permitindo movimentos suaves e absorvendo o impacto durante a caminhada e a prática esportiva.

O que causa uma lesão da cartilagem?
As lesões podem surgir por diferentes motivos, sendo os mais comuns:
Traumas durante atividades esportivas;
Entorses do joelho;
Luxação da patela;
Lesões ligamentares, principalmente do ligamento cruzado anterior (LCA);
Lesões dos meniscos;
Sobrecarga repetitiva;
Desgaste natural da articulação (artrose).
Em muitos pacientes, mais de uma dessas causas está presente ao mesmo tempo.


Lesões focais da cartilagem podem ocorrer após traumas esportivos, entorses ou luxações da patela.
Quais são os sintomas?
Os sintomas variam conforme o tamanho e a localização da lesão, podendo incluir:
Dor ao caminhar ou praticar exercícios;
Inchaço recorrente;
Sensação de estalos;
Travamentos ocasionais;
Diminuição da capacidade para esportes;
Sensação de que o joelho "não está normal".
Pequenas lesões podem permanecer sem sintomas por bastante tempo, enquanto lesões maiores costumam provocar dor persistente.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada.
Durante a consulta, são analisados:
histórico da dor;
mecanismo da lesão;
exame físico do joelho;
presença de inchaço;
alinhamento dos membros inferiores;
estabilidade ligamentar.
A ressonância magnética é o principal exame para avaliar a cartilagem, permitindo identificar o tamanho, a profundidade e a localização da lesão. Em alguns casos, radiografias e tomografia computadorizada também podem ser necessárias.

A ressonância magnética é o principal exame para avaliar a localização, profundidade e extensão da lesão da cartilagem.
Toda lesão da cartilagem precisa de cirurgia?
Não.
O tratamento depende de diversos fatores, como:
idade;
nível de atividade física;
tamanho da lesão;
localização;
sintomas;
presença de lesões associadas.
Lesões pequenas ou pacientes com poucos sintomas frequentemente apresentam boa evolução com tratamento conservador.
Como é feito o tratamento?
O tratamento das lesões da cartilagem deve ser individualizado. Não existe um único tratamento que seja adequado para todos os pacientes.
A escolha depende de diversos fatores, como:
idade;
nível de atividade física;
localização da lesão;
tamanho e profundidade do defeito;
presença de dor e limitação funcional;
alinhamento do membro inferior;
lesões associadas dos meniscos, ligamentos ou osso subcondral.
O principal objetivo é aliviar a dor, melhorar a função do joelho, preservar a cartilagem remanescente e retardar a progressão para artrose.
Estudos recentes reforçam que o tratamento deve abordar não apenas a cartilagem lesionada, mas toda a articulação do joelho, incluindo meniscos, ligamentos, alinhamento e musculatura.
Tratamento conservador
Na maioria dos pacientes, principalmente quando as lesões são pequenas ou os sintomas são leves, o tratamento inicial não envolve cirurgia.
As principais medidas incluem:
fisioterapia;
fortalecimento da musculatura da coxa e do quadril;
perda de peso quando indicada;
adaptação temporária das atividades físicas;
controle da dor com medicamentos quando necessário;
Condroprotetores
infiltrações intra-articulares em casos selecionados.
A fisioterapia é considerada um dos pilares do tratamento. O fortalecimento muscular melhora a estabilidade do joelho, reduz a sobrecarga sobre a cartilagem e ajuda no controle da dor, mesmo quando a lesão permanece presente.
Condroprotetores funcionam?
Os condroprotetores, também chamados de SYSADOAs (Symptomatic Slow-Acting Drugs for Osteoarthritis), são suplementos utilizados principalmente em pacientes com desgaste da cartilagem (artrose).
Os mais conhecidos são:
sulfato de glucosamina;
sulfato de condroitina;
colágeno tipo II não desnaturado (UC-II);
colágeno hidrolisado;
diacereína (medicamento);
extratos vegetais utilizados em alguns países.
É importante entender que esses produtos não regeneram a cartilagem perdida e também não substituem a fisioterapia nem a cirurgia quando ela é necessária.
Entretanto, alguns pacientes apresentam melhora gradual da dor e da função após algumas semanas de uso.
As evidências científicas atuais mostram resultados conflitantes. Enquanto algumas diretrizes internacionais não recomendam seu uso rotineiro, outras consideram que glucosamina e condroitina podem proporcionar melhora modesta da dor e da função, principalmente em pacientes com artrose leve ou moderada, além de apresentarem excelente perfil de segurança.
Na prática clínica, o uso desses suplementos deve ser individualizado e discutido entre médico e paciente.



Infiltrações no joelho
Quando a dor persiste apesar do tratamento inicial, algumas infiltrações podem ser indicadas.
As opções mais utilizadas são:
Ácido hialurônico
Ajuda na lubrificação da articulação e pode reduzir a dor em alguns pacientes, principalmente nos casos iniciais de desgaste da cartilagem. Os resultados variam entre os pacientes e costumam durar alguns meses.
Corticosteroides
São utilizados principalmente quando existe inflamação importante da articulação. Costumam proporcionar alívio rápido da dor, porém seu efeito é temporário e aplicações repetidas devem ser evitadas.
PRP (Plasma Rico em Plaquetas)
O PRP é obtido a partir do sangue do próprio paciente e contém fatores de crescimento que podem modular a inflamação.
Alguns estudos demonstram melhora da dor e da função em pacientes selecionados, especialmente nos estágios iniciais da artrose. Entretanto, ainda existe grande variação entre os protocolos utilizados, e as evidências atuais não permitem afirmar que o PRP regenere a cartilagem. Por isso, sua indicação deve ser individualizada.
Quando a cirurgia é necessária?
A cirurgia é considerada quando:
a dor persiste apesar do tratamento conservador;
existe limitação importante das atividades diárias ou esportivas;
há lesões extensas da cartilagem;
o paciente é jovem e apresenta defeitos localizados;
existem corpos livres ou fragmentos de cartilagem dentro da articulação.
Hoje existem diversas técnicas cirúrgicas, e a escolha depende das características da lesão e do paciente.
Entre elas destacam-se:
desbridamento artroscópico;
microfraturas
transplante osteocondral autólogo (OAT/Mosaicoplastia);
transplante osteocondral homólogo (OCA);
implante autólogo de condrócitos (ACI/MACI);
técnicas com membranas biológicas e scaffolds.
Os consensos mais recentes defendem uma abordagem individualizada, considerando tamanho da lesão, comprometimento do osso subcondral, idade, alinhamento do membro e expectativa funcional do paciente, em vez de indicar uma única técnica para todos





É possível prevenir?
Embora nem todas as lesões possam ser evitadas, algumas medidas reduzem o risco:
manter um peso saudável;
fortalecer a musculatura das pernas;
tratar lesões ligamentares e meniscais quando indicado;
corrigir alterações de alinhamento em casos específicos;
retornar aos esportes somente após adequada reabilitação.
Qual é o prognóstico?
Muitos pacientes conseguem retornar às suas atividades com tratamento adequado.
O sucesso depende de diversos fatores, incluindo:
tamanho da lesão;
localização;
idade;
peso corporal;
alinhamento do membro;
presença de outras lesões no joelho;
comprometimento do paciente com a reabilitação.
Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de preservar a articulação e reduzir a progressão para artrose.

Referências científicas
Løken S, et al. Treatment of Knee Cartilage Lesions in 2024: From Hyaluronic Acid to Regenerative Medicine. Journal of Experimental Orthopaedics. 2024.
Devitt BM, Bell SW, Webster KE, et al. Surgical Treatments of Cartilage Defects of the Knee: Systematic Review of Randomized Controlled Trials. 2022 (atualizado em 2024).
Van der List JP, et al. Osteochondral Solutions for Cartilage Lesions of the Knee: A Narrative Review. Annals of Joint. 2025.
Pałka K, et al. Scaffold Enhancement versus Microfracture for Knee Chondral Defects: Systematic Review and Meta-analysis. Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy. 2024/2025



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