Fratura da Patela
- Rafael Vieira
- 29 de jun.
- 6 min de leitura
entenda a lesão, os sintomas e quando é necessária cirurgia

A fratura da patela é uma lesão que acomete o osso localizado na parte da frente do joelho, conhecido popularmente como "rótula". Apesar de representar uma pequena parcela das fraturas do corpo, ela pode comprometer significativamente a capacidade de caminhar, subir escadas e, principalmente, estender o joelho.
O tratamento depende do tipo da fratura, do grau de desvio dos fragmentos e da integridade do mecanismo extensor do joelho. Em muitos casos, o tratamento adequado permite uma excelente recuperação da função.
O que é a patela?
A patela é o maior osso sesamoide do corpo humano. Ela está localizada dentro do tendão do músculo quadríceps e funciona como uma polia, aumentando a eficiência da musculatura da coxa para estender o joelho.
Além disso, ela:
Protege a articulação do joelho.
Aumenta a força do quadríceps.
Distribui melhor as cargas durante os movimentos.
Auxilia na estabilidade da articulação.
Quando ocorre uma fratura, essas funções podem ficar comprometidas.

Como acontece uma fratura da patela?
Existem dois mecanismos principais.
Trauma direto
É o mais frequente.
O paciente sofre um impacto diretamente sobre o joelho, como:
Queda sobre o joelho.
Acidente de motocicleta.
Acidente automobilístico.
Trauma durante atividades esportivas.
Esse mecanismo costuma produzir fraturas com vários fragmentos (fraturas cominutivas).
Trauma indireto
Ocorre quando o músculo quadríceps realiza uma contração muito intensa enquanto o joelho está flexionado.
Pode acontecer durante:
Escorregões.
Tentativa de evitar uma queda.
Saltos.
Atividades esportivas.
Nesses casos, geralmente ocorre uma fratura transversal, causada pela força exercida pelo tendão.
Quais são os sintomas?
Os sintomas costumam surgir imediatamente após o trauma.
Os mais comuns são:
Dor intensa na parte da frente do joelho.
Inchaço importante.
Dificuldade para caminhar.
Incapacidade de levantar a perna estendida.
Dificuldade para dobrar o joelho.
Hematoma.
Deformidade quando existe grande desvio dos fragmentos.
Quando o paciente não consegue realizar a elevação da perna estendida, isso pode indicar que o mecanismo extensor foi interrompido.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela avaliação clínica.
Durante o exame físico são avaliados:
Dor localizada.
Edema.
Integridade da pele.
Capacidade de estender o joelho.
Presença de lesões associadas.
Em seguida, são solicitados exames de imagem.
Radiografia
É o exame inicial e, na maioria das vezes, suficiente para confirmar o diagnóstico.
As incidências mais utilizadas são:
AP (frente)
Perfil
Axial da patela (quando possível)
Tomografia computadorizada
Pode ser indicada quando existe dúvida sobre o padrão da fratura ou para melhor planejamento cirúrgico.
Ela permite visualizar:
Número de fragmentos.
Grau de desvio.
Envolvimento da superfície articular.
Ressonância magnética
Não é solicitada rotineiramente.
Pode ser útil quando existe suspeita de:
Lesões ligamentares.
Lesão da cartilagem.
Fraturas ocultas.
Patela bipartida: nem toda "linha" na patela é uma fratura
Durante a avaliação de um trauma no joelho, uma condição relativamente comum pode ser confundida com uma fratura: a patela bipartida.
A patela bipartida é uma variação do desenvolvimento do osso, presente em cerca de 1% a 2% da população. Nessa condição, a patela é formada por dois fragmentos ósseos separados por tecido fibroso ou cartilaginoso, em vez de um único osso completamente unido.
Na grande maioria das pessoas, essa alteração não causa dor nem limitações, sendo descoberta apenas durante um exame de imagem realizado por outro motivo.
A localização mais comum do fragmento acessório é na porção superolateral da patela, característica que ajuda o ortopedista a diferenciá-la de uma fratura. Além disso, a patela bipartida geralmente apresenta bordas lisas e arredondadas, enquanto as fraturas costumam ter margens irregulares e estão associadas a sinais recentes de trauma, como edema e hematoma.
Após um trauma, entretanto, uma patela bipartida previamente assintomática pode tornar-se dolorosa devido à inflamação entre os fragmentos, o que pode dificultar ainda mais o diagnóstico.
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador, com repouso, controle da dor e fisioterapia. A cirurgia é reservada apenas para pacientes que permanecem com sintomas persistentes após tratamento adequado.
Importante: a patela bipartida não aumenta o risco de fratura e não deve ser confundida com uma fratura da patela, pois são condições diferentes que exigem abordagens distintas.

Quais são os tipos de fratura da
patela?
As fraturas podem ser classificadas de diversas maneiras.
Os padrões mais comuns incluem:
Fratura transversal.
Fratura vertical.
Fratura marginal.
Fratura do polo inferior.
Fratura do polo superior.
Fratura osteocondral.
Fratura cominutiva (vários fragmentos).
Cada padrão influencia diretamente a escolha do tratamento.

Quando o tratamento pode ser sem cirurgia?
Nem toda fratura da patela precisa ser operada.
O tratamento conservador costuma ser indicado quando:
A fratura apresenta pouco ou nenhum desvio.
O mecanismo extensor permanece íntegro.
O paciente consegue elevar a perna estendida.
A superfície articular está preservada.
Normalmente utiliza-se:
Imobilizador de joelho ou órtese.
Controle da dor.
Apoio conforme orientação médica.
Fisioterapia progressiva.
O acompanhamento radiográfico é fundamental para garantir que não ocorra deslocamento durante a consolidação.
Quando é necessária cirurgia?
A cirurgia costuma ser indicada quando existe:
Desvio significativo entre os fragmentos.
Degrau na superfície articular.
Perda da capacidade de estender o joelho.
Fraturas expostas.
Fraturas com importante instabilidade.
O objetivo é restaurar a anatomia da patela e permitir que o mecanismo extensor volte a funcionar adequadamente.

Como é feita a cirurgia?
Existem diversas técnicas cirúrgicas.
A escolha depende do tipo da fratura.
Entre as opções estão:
Parafusos canulados.
Banda de tensão (cerclagem).
Placas específicas para patela.
Suturas de alta resistência.
Combinação entre implantes.
Nos últimos anos, placas anatômicas e sistemas modernos de fixação têm ampliado as possibilidades de tratamento, principalmente em fraturas com múltiplos fragmentos.
Sempre que possível, procura-se preservar a patela, pois sua retirada parcial ou total pode reduzir a força do quadríceps e comprometer a função do joelho.



Como é a recuperação?
A recuperação varia conforme:
Tipo da fratura.
Técnica utilizada.
Qualidade da fixação.
Idade do paciente.
Comprometimento da cartilagem.
Participação na fisioterapia.
Nas primeiras semanas, o foco é controlar a dor e o inchaço.
Posteriormente, inicia-se a recuperação gradual da mobilidade, seguida do fortalecimento muscular e do retorno às atividades.
Em muitos casos, o retorno às atividades habituais ocorre entre 3 e 6 meses, enquanto esportes de maior impacto podem exigir um período mais prolongado.
Quais podem ser as complicações?
Mesmo com tratamento adequado, algumas complicações podem ocorrer:
Rigidez do joelho.
Dor persistente.
Falha da consolidação (pseudoartrose).
Consolidação em posição inadequada.
Perda de força do quadríceps.
Irritação pelo material de síntese.
Infecção.
Artrose femoropatelar pós-traumática.
O acompanhamento com o ortopedista e a realização correta da fisioterapia são fundamentais para reduzir esses riscos.
É possível voltar ao esporte?
Na maioria dos casos, sim.
O retorno ao esporte depende de alguns critérios importantes:
Consolidação completa da fratura.
Ausência de dor.
Recuperação da amplitude de movimento.
Força muscular próxima ao membro não lesionado.
Boa estabilidade do joelho.
A liberação deve ser individualizada e baseada na avaliação clínica e radiográfica.
Perguntas frequentes
Toda fratura da patela precisa de cirurgia?
Não. Fraturas sem desvio e com o mecanismo extensor preservado frequentemente podem ser tratadas sem cirurgia.
Vou conseguir dobrar o joelho normalmente?
Na maioria dos pacientes, sim. A fisioterapia tem papel fundamental para recuperar a mobilidade e evitar rigidez.
O material da cirurgia precisa ser retirado?
Nem sempre. O material permanece definitivamente na maioria dos pacientes. Entretanto, se causar desconforto, dor ou irritação, sua retirada pode ser indicada após a consolidação da fratura.
Posso desenvolver artrose depois da fratura?
Sim. Como a fratura frequentemente envolve a superfície articular da patela, existe um risco aumentado de desenvolver artrose femoropatelar ao longo dos anos, principalmente em fraturas mais graves.
Quando procurar um especialista?
Você deve procurar avaliação ortopédica imediatamente após um trauma no joelho se apresentar:
Dor intensa.
Incapacidade para caminhar.
Dificuldade para estender o joelho.
Inchaço importante.
Deformidade na região da patela.
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam as chances de uma recuperação completa e reduzem o risco de sequelas.
Conclusão
A fratura da patela é uma lesão que pode comprometer significativamente a função do joelho, mas, quando diagnosticada e tratada corretamente, costuma apresentar bons resultados. A escolha entre tratamento conservador e cirurgia depende do padrão da fratura, do desvio dos fragmentos e da integridade do mecanismo extensor.
Cada caso deve ser avaliado de forma individualizada. Um plano de tratamento bem definido, aliado a uma reabilitação adequada, é essencial para restaurar a mobilidade, a força muscular e permitir o retorno seguro às atividades do dia a dia e ao esporte.



Comentários