Fratura do Rádio Distal em Crianças
- Rafael Vieira
- 9 de jul. de 2024
- 4 min de leitura
A fratura do rádio distal é uma das lesões ósseas mais comuns em crianças, representando cerca de 30% de todas as fraturas pediátricas. Essa fratura ocorre geralmente na extremidade distal do rádio, um dos dois ossos do antebraço, próximo ao pulso. Devido à alta incidência de quedas e atividades físicas intensas, crianças entre 5 e 15 anos são especialmente suscetíveis a este tipo de lesão.
Anatomia
No antebraço temos 2 ossos, o rádio e a ulna, a fratura do rádio distal é na região próxima ao punho.
Causas
As principais causas da fratura do rádio distal em crianças incluem:
Quedas: Quedas ao correr, andar de bicicleta ou praticar esportes são as causas mais comuns. A tendência natural de estender o braço para amortecer a queda aumenta o risco de fratura do rádio distal.
Traumas Diretos: Impactos diretos no antebraço durante brincadeiras ou atividades esportivas podem resultar em fraturas.
Fatores de risco para fratura
- Sobrepeso
- Balanço postural ruim
- Frouxidão ligamentar
Sintomas
Os sintomas de uma fratura do rádio distal incluem:
Dor Intensa: Imediatamente após a lesão, a criança geralmente sente uma dor aguda no local da fratura.
Inchaço e Hematomas: Inchaço e hematomas ao redor do pulso e do antebraço são comuns.
Deformidade: Em casos mais graves, pode haver uma deformidade visível no pulso.
Dificuldade de Movimento: Movimentar o pulso ou o braço pode ser difícil e doloroso.
Diagnóstico
O diagnóstico da fratura do rádio distal é geralmente feito através de:
Exame Clínico: O médico realiza uma avaliação física, observando sinais de dor, inchaço e deformidade.
Radiografia: As radiografias AP e Perfil são essenciais para confirmar a fratura e determinar o tipo e a extensão da lesão.
Tipos de fratura
a) Completa
b) Galho verde (incompleta)
c) Tórus
As forças de flexão podem fazer com que o osso da criança fique vincado no lado de compressão (côncavo) da curvatura, deixando o córtex de tensão (convexo) intacto, mas ligeiramente dobrado.
Isso é conhecido como fratura de toro ou fivela. Um toro é uma figura matemática em formato de donut.
d) Fraturas por estresse
- Acomete sobretudo ginastas (trauma repetidos no punho).
Tratamento
O tratamento da fratura do rádio distal em crianças depende da gravidade da fratura:
Imobilização: Para fraturas não deslocadas, o tratamento pode incluir a imobilização com gesso ou tala, mantendo o braço em posição adequada para cicatrização. É importante que o gesso seja mantido seco e bem cuidado. O tratamento geralmente leva de 4 a 6 semanas. O acompanhamento é feito com consultas e radiografias na 1°, 2° e 4° semana.
Redução Fechada: Para fraturas deslocadas, pode ser necessária uma redução fechada, onde o médico manipula os ossos para alinhar corretamente antes de imobilizar.O tratamento geralmente leva de 4 a 6 semanas. O acompanhamento é feito com consultas e radiografias na 1°, 2° e 4° semana.
Cirurgia: Em casos graves, especialmente se os fragmentos ósseos não puderem ser alinhados adequadamente com manipulação, pode ser necessária a intervenção cirúrgica. Pinos, placas ou parafusos podem ser usados para fixar os ossos no lugar.
Cuidados Pós-Tratamento
Após o tratamento inicial, cuidados adicionais são essenciais para a recuperação completa:
Manter o Gesso Seco: É crucial manter o gesso ou a tala secos para evitar infecções ou maceração da pele.
Evitar Atividades Físicas Intensas: A criança deve evitar atividades que possam comprometer a cicatrização da fratura.
Fisioterapia: Em alguns casos, a fisioterapia pode ser recomendada para recuperar a força e a mobilidade do braço após a remoção do gesso.
Elevação do Membro: Manter o membro imobilizado elevado ajuda a reduzir o inchaço. Se for o braço, o uso de uma tipoia é recomendado; se for a perna, elevar com um travesseiro na panturrilha e nunca apoiar a parte posterior do calcanhar na cama.
Movimentação dos Dedos: É importante movimentar sempre a extremidade que estiver solta no gesso, em geral os dedos dos pés e das mãos.
Complicações
Embora a maioria das fraturas do rádio distal em crianças cicatrize sem problemas, algumas complicações podem ocorrer:
Complicações agudas: Perda da redução (ossos volta a sair do lugar)
Complicações crônicas:
Crescimento Anormal: Lesões na placa de crescimento podem levar a deformidades no crescimento do osso.
Rigidez e Fraqueza: A imobilização prolongada pode causar rigidez nas articulações e fraqueza muscular, que pode ser tratada com fisioterapia.
Necrose Avascular: Em casos raros, a interrupção do fluxo sanguíneo para o osso pode causar a morte do tecido ósseo.
Conclusão
A fratura do rádio distal é uma lesão comum em crianças, mas com o diagnóstico e tratamento adequados, a maioria das crianças se recupera completamente sem complicações a longo prazo. É importante seguir as orientações médicas e garantir os cuidados adequados durante a recuperação para assegurar uma cicatrização correta e prevenir problemas futuros. Se você suspeitar que seu filho sofreu uma fratura do rádio distal, procure atendimento médico imediatamente para uma avaliação e tratamento apropriados.
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